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Novas práticas de governança da água? O uso da pegada hídrica e a transformação das relações entre o setor privado, organizações ambientais e agências internacionais de desenvolvimento

Vanessa Lucena Empinotti, Pedro Roberto Jacobi

Nos últimos cinco anos, em arenas internacionais, ocorreu uma mudança na percepção sobre o papel do setor privado no contexto da governança da água. 

 

Antes reconhecido como agente degradador do recurso, hoje é considerado por organizações multilaterais e ambientalistas como peça-chave na promoção da conservação da água.

O objetivo deste artigo é entender como essa mudança de discurso redefiniu o entendimento da água de um insumo de produção para um indicador de responsabilidade socioambiental e como essa mudança se refletiu sobre o papel dos atores envolvidos nessa iniciativa. Para isso, o artigo analisa a apropriação do método da pegada hídrica pela SABMiller, empresa sul-africana produtora de bebidas, em parceria com a WWF e a GIZ.

Ao utilizar o método da pegada hídrica para identificar a quantidade de água alocada nas atividades econômicas que ocorrem em bacias hidrográficas localizadas no Peru, África do Sul, Tanzânia e Ucrânia, a SABMiller iniciou um processo de reposicionamento no contexto político e dividiu a responsabilidade do uso eficiente do recurso hídrico com os outros atores da região.

Além disso, organizações ambientais internacionais e agências de desenvolvimento se tornaram interlocutores da agenda industrial frente ao Estado e à sociedade, por se disporem a levar as propostas da SABMiller para esferas de tomada de decisão. Por fim, este novo arranjo criou oportunidades para a construção de novos espaços de negociação formais até então inexistentes.

 

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