Você está aqui

LIVRO: PROTEÇÃO E PRODUÇÃO - Biodiversidade e a agricultura no Brasil

José Augusto Drummond

Durante muito tempo, O Brasil era um" país essencialmente agrário”. Este refrão nasceu na era do Império e perdurou durante a Primeira República, até a década de 1930, aproximadamente. Ele teve longa vigência e refletia bem o forte peso das atividades agropecuárias no perfil da sociedade e da economia brasileiras.

Em torno de 1950 emergiu um novo refrão: em um futuro próximo o Brasil se transformaria em “potência industrial”. Ao longo da segunda metade do século XX, de fato, o país consolidou um fortíssimo parque industrial / urbano / de serviços sem deixar, no entanto, de ter uma agropecuária forte. Agrarismo e industrialismo se somaram um ao outro. Há cerca de 30 anos, em plena era do ambientalismo global, surgiu um novo refrão: o Brasil agora seria “o país da megabiodiversidade”, ou seja, o detentor da maior parcela de seres vivos, de ecossistemas pujantes e da maior riqueza genética de todo o mundo.

Embora esse novo refrão tenha vindo mais “de fora” do Brasil do que “de dentro”, ele atualizou um antigo otimismo quanto às riquezas naturais do país. Esse otimismo se manifesta até no nosso hino nacional – “deitado em berço esplêndido”, “gigante pela própria natureza”, “teus risonhos, lindos campos têm mais flores, nossos bosques têm mais vida”, e assim por diante. No entanto, a realidade é que, até agora, o novo refrão alcançou aceitação muito menor da sociedade brasileira do que os outros dois,mesmo que já tenha deixado algumas marcas que talvez se revelem duradouras na sociedade,na economia e nas políticas públicas brasileiras. Cabe, portanto, perguntar: essa nova dimensão “megabiodiversa” da identidade do Brasil vai prosperar em face da aceitação continuada e maciça daquelas dimensões mais antigas, a do Brasil essencialmente agrícola e a do Brasil como potência industrial?

Esta é a pergunta mais geral para a qual este livro de José Augusto Drummond busca respostas. O texto trata primeiro de algumas manifestações hostis de setores representativos da sociedade brasileira sobre as suas áreas protegidas a título de preservação da natureza e da biodiversidade. Os críticos acusam injusta e equivocadamente as áreas protegidas de sufocar a agricultura brasileira e de serem obstáculos ao desenvolvimento, à prosperidade e ao bem estar dos brasileiros.

Em seguida,o livro discute, em termos culturais, políticos, ecológicos e até agronômicos, a dita “megabiodiversidade” do território brasileiro. Propõe que ela é uma riqueza em si mesma, independentemente dos benefícios materiais tangíveis que possa gerar num futuro próximo ou remoto. E argumenta que o Brasil deve e pode acrescentar às suas conquistas agrícolas e industriais iniciativas sérias de conhecimento e preservação dessa biodiversidade (inclusive, mas não exclusivamente, na forma de áreas protegidas). Sustenta ainda que essas iniciativas em nada prejudicam ou prejudicarão o bem estar dos brasileiros.

A conclusão é que não existe outro país além do Brasil que tenha tanta possibilidade de conciliar uma agricultura e uma indústria fortes com a proteção de uma biodiversidade tão rica.

Para acessar o site da editora Garamond, clique aqui.